Corremos risco?
Durante os últimos 40 anos, o ovo tornou-se o símbolo de colesterol alto e da má alimentação. Neste período, em todo o mundo, tem sido difundida a idéia de que a ingestão regular de ovos é a principal responsável pela elevação do colesterol no sangue, e o conseqüente aumento no risco de doença cardiovascular.
Mas de onde surgiu esta idéia, já que por séculos o ovo foi tido como um alimento saudável e completo? O início do mito se dá a partir dos resultados de estudos epidemiológicos, nos anos 60, que demonstravam que pessoas que apresentavam colesterol mais elevado tinham maior risco de desenvolver doença cardíaca. Estava firmada a ligação entre dieta e doença cardíaca.
A partir desta constatação, começaram a surgir algumas associações baseadas mais na lógica do que observação experimental. A associação mais simples foi a de que, se um alimento tem concentrações elevadas de colesterol, a ingestão deste alimento deve produzir elevação do colesterol sangüíneo. Ora, a gema de ovo é rica em colesterol, logo, comer ovo aumenta colesterol sangüíneo, e colesterol sangüíneo elevado aumenta o risco cardíaco; logo, comer ovo aumenta o risco cardíaco.
Estava consolidado um raciocínio muito plausível. Porém, plausibilidade biológica não é um componente suficiente para explicar as complexas interações da natureza e, principalmente, da natureza com o organismo humano.
O mito começou a se desfazer há dez anos, aproximadamente, quando a análise em conjunto dos resultados de vários novos estudos sobre a relação dieta/colesterol apontavam para uma nova realidade. Esta realidade demonstra que o colesterol ingerido na dieta contribui muito pouco para aumentar o risco cardíaco, mais do que isto mostra uma relação muito pequena entre a quantidade de colesterol ingerido e a concentração sangüínea de colesterol (100 mg de redução de colesterol da dieta por dia corresponde a uma queda do colesterol sangüíneo total de 1%).
Então, o que estava errado que levou médicos e cientistas a aconselharem, durante décadas, que as pessoas restringissem a ingestão de alimentos ricos em colesterol, principalmente ovos?
Não houve propriamente um erro, o problema reside na limitação dos métodos de análise. É muito difícil avaliar-se o efeito de determinado alimento sobre algum desfecho (o desfecho aqui, no caso, seria a concentração de colesterol no sangue e/ou risco cardíaco), pelo fato de que a pessoa não ingere só aquele alimento, e mesmo ?aquele? alimento, qualquer que seja, é composto de uma série de elementos químicos, que podem interagir dinamicamente, somando seus efeitos, neutralizando-os, isso tudo em diferentes intensidades. São estes os chamados efeitos confundidores.
Além disso, nos estudos mais antigos sobre colesterol e doença cardíaca, as dietas não eram ricas somente em colesterol, mas também em gorduras em geral, em gorduras saturadas, e em produtos de origem animal. Associado a isso, essas dietas eram pobres em frutas, vegetais e grãos, fatores que sabidamente influenciam nos níveis de colesterol circulante e no risco cardíaco, beneficiando-os. São poucos os estudos de dieta que consideram estas variáveis, e não considerá-las, o que ocorreu na maior parte deles, levou a uma conclusão errônea. Nos estudos que as consideraram, fica claramente demonstrado que não há associação entre o consumo de, em média, até um ovo por dia, com risco aumentado de doença cardíaca ou acidente vascular cerebral (?derrame?), nem, tampouco, com colesterol sangüíneo elevado.
O ovo, tido no passado remoto como um alimento de excepcionais propriedades nutricionais, foi, no passado recente, acusado, julgado e condenado, baseado em associações inconsistentes, indícios fracos e suposições. Não havia evidências nem provas. Sua pena foi o banimento da dieta, a fim de não ameaçar a saúde da humanidade. Hoje, o ovo tem recuperado grande parte do seu prestígio junto à comunidade científica.
A Associação Americana do Coração já não tem mais incluído nos seus guias de normas mais recentes a recomendação de limitar o consumo de ovos. Nesta nova posição, suas velhas qualidades (alto teor de proteínas, vitaminas e sais minerais) voltam a ser exaltadas, e novas estão sendo descobertas (quantidades significativas de carotenóides e colina). Com isso, o ovo está sendo guindado à seleta categoria de alimento funcional. Nesta categoria estão os alimentos fisiologicamente ativos, que produzem benefícios adicionais à simples nutrição.
Considerando a recomendação, hoje quase generalizada e solidamente comprovada, de que uma alimentação saudável é um dos principais fatores de prevenção de doença, o ovo volta a ser um aliado na promoção da saúde.
Durante os últimos 40 anos, o ovo tornou-se o símbolo de colesterol alto e da má alimentação. Neste período, em todo o mundo, tem sido difundida a idéia de que a ingestão regular de ovos é a principal responsável pela elevação do colesterol no sangue, e o conseqüente aumento no risco de doença cardiovascular.
Mas de onde surgiu esta idéia, já que por séculos o ovo foi tido como um alimento saudável e completo? O início do mito se dá a partir dos resultados de estudos epidemiológicos, nos anos 60, que demonstravam que pessoas que apresentavam colesterol mais elevado tinham maior risco de desenvolver doença cardíaca. Estava firmada a ligação entre dieta e doença cardíaca.
A partir desta constatação, começaram a surgir algumas associações baseadas mais na lógica do que observação experimental. A associação mais simples foi a de que, se um alimento tem concentrações elevadas de colesterol, a ingestão deste alimento deve produzir elevação do colesterol sangüíneo. Ora, a gema de ovo é rica em colesterol, logo, comer ovo aumenta colesterol sangüíneo, e colesterol sangüíneo elevado aumenta o risco cardíaco; logo, comer ovo aumenta o risco cardíaco.
Estava consolidado um raciocínio muito plausível. Porém, plausibilidade biológica não é um componente suficiente para explicar as complexas interações da natureza e, principalmente, da natureza com o organismo humano.
O mito começou a se desfazer há dez anos, aproximadamente, quando a análise em conjunto dos resultados de vários novos estudos sobre a relação dieta/colesterol apontavam para uma nova realidade. Esta realidade demonstra que o colesterol ingerido na dieta contribui muito pouco para aumentar o risco cardíaco, mais do que isto mostra uma relação muito pequena entre a quantidade de colesterol ingerido e a concentração sangüínea de colesterol (100 mg de redução de colesterol da dieta por dia corresponde a uma queda do colesterol sangüíneo total de 1%).
Então, o que estava errado que levou médicos e cientistas a aconselharem, durante décadas, que as pessoas restringissem a ingestão de alimentos ricos em colesterol, principalmente ovos?
Não houve propriamente um erro, o problema reside na limitação dos métodos de análise. É muito difícil avaliar-se o efeito de determinado alimento sobre algum desfecho (o desfecho aqui, no caso, seria a concentração de colesterol no sangue e/ou risco cardíaco), pelo fato de que a pessoa não ingere só aquele alimento, e mesmo ?aquele? alimento, qualquer que seja, é composto de uma série de elementos químicos, que podem interagir dinamicamente, somando seus efeitos, neutralizando-os, isso tudo em diferentes intensidades. São estes os chamados efeitos confundidores.
Além disso, nos estudos mais antigos sobre colesterol e doença cardíaca, as dietas não eram ricas somente em colesterol, mas também em gorduras em geral, em gorduras saturadas, e em produtos de origem animal. Associado a isso, essas dietas eram pobres em frutas, vegetais e grãos, fatores que sabidamente influenciam nos níveis de colesterol circulante e no risco cardíaco, beneficiando-os. São poucos os estudos de dieta que consideram estas variáveis, e não considerá-las, o que ocorreu na maior parte deles, levou a uma conclusão errônea. Nos estudos que as consideraram, fica claramente demonstrado que não há associação entre o consumo de, em média, até um ovo por dia, com risco aumentado de doença cardíaca ou acidente vascular cerebral (?derrame?), nem, tampouco, com colesterol sangüíneo elevado.
O ovo, tido no passado remoto como um alimento de excepcionais propriedades nutricionais, foi, no passado recente, acusado, julgado e condenado, baseado em associações inconsistentes, indícios fracos e suposições. Não havia evidências nem provas. Sua pena foi o banimento da dieta, a fim de não ameaçar a saúde da humanidade. Hoje, o ovo tem recuperado grande parte do seu prestígio junto à comunidade científica.
A Associação Americana do Coração já não tem mais incluído nos seus guias de normas mais recentes a recomendação de limitar o consumo de ovos. Nesta nova posição, suas velhas qualidades (alto teor de proteínas, vitaminas e sais minerais) voltam a ser exaltadas, e novas estão sendo descobertas (quantidades significativas de carotenóides e colina). Com isso, o ovo está sendo guindado à seleta categoria de alimento funcional. Nesta categoria estão os alimentos fisiologicamente ativos, que produzem benefícios adicionais à simples nutrição.
Considerando a recomendação, hoje quase generalizada e solidamente comprovada, de que uma alimentação saudável é um dos principais fatores de prevenção de doença, o ovo volta a ser um aliado na promoção da saúde.
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